terça-feira, setembro 27, 2016

Soares Mais segredos da família



ÚLTIMA - Mais segredos da família Soares
O colégio que constitui a principal riqueza da família Soares tem um registo predial cheio de surpresas. A actual delimitação da propriedade onde está instalado resulta de um processo administrativo que contém informações falsas - as quais permitiram a quase duplicação da sua área original. Nas seis décadas em que esteve arrendado ao Colégio Moderno, até ser por ele comprado há dois anos, o prédio inchou 1879 metros quadrados: passou de 2980 para 4859 m2. Os beneficiados foram o próprio colégio e a sua antiga senhoria. O prejudicado foi o Estado e a Universidade de Lisboa, actual dona dos terrenos confinantes.

O Colégio Moderno e a anterior proprietária das suas instalações invocaram factos inverídicos, em 1998, para conseguirem legalizar a ocupação de uma grande parte dos terrenos em que o ex-presidente Mário Soares e a família construíram diversos edifícios escolares nos últimos 18 anos.

Para o conseguir, os interessados obtiveram a colaboração da vizinha Universidade de Lisboa (UL), a qual certificou a pertença ao colégio de uma área de quase dois mil metros quadrados, que legalmente lhe pertencia a ela. Aos preços que a universidade pagou pela parcela contígua, a família Soares deveria ter desembolsado cerca de 82.300 contos para adquirir os terrenos em questão.

Arrendada em 1936 por João Lopes Soares, pai de Mário Soares, a propriedade do colégio - com entrada pela então Estrada de Malpique, ao Campo Grande, em Lisboa (actual Rua dr. João Soares) - pertencia à sociedade Flora & Fauna Ldª, que a adquirira dois anos antes. Tratava-se de um prédio urbano, recentemente desanexado de uma grande unidade agrícola denominada Quinta da Cônsul da Holanda, e descrito na 2ª Conservatória do Registo Predial de Lisboa como um "terreno de 2980 metros quadrados no qual existe uma moradia de rez-de-chão e primeiro andar, palheiros, abegoaria e cocheira".

A parte rústica da antiga Quinta do Cônsul da Holanda, também conhecida por Quinta da Misericórdia e Quinta do Tarujo, foi na mesma época comprada pela firma A. Meireles Ldª, sociedade que se dedicava aos negócios imobiliários e que pretendia construir "casas económicas" na vasta área hoje ocupada pela Cidade Universitária.

Ainda na segunda metade da década de 30, os seus terrenos foram retalhados em lotes, a maior parte dos quais depois expropriada para dar lugar às instalações da universidade. A parcela contígua à da Flora & Fauna - nas traseiras do colégio - acabaria por não ser expropriada nessa altura, passando por várias mãos até ser adquirida, em 1953, por Teodoro Mosquera, um galego residente no Porto.

No início dos anos 70, ainda com o objectivo de a urbanizar, Mosquera associar-se-ia a Manuel António da Mota, fundador do grupo Mota & Cia., sendo a sociedade constituída por ambos que viria a ser finalmente expropriada, em 1988, para erguer a Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa.Ao longo deste meio século, a propriedade que confinava a poente com o colégio teve assim uma vida extremamente atribulada, com sucessivos proprietários, a maior parte do tempo ausentes de Lisboa, e com sucessivos projectos, sempre adiados, de urbanização e expropriação.

À excepção das décadas de 70 e 80, quando parcialmente ocupado pelos estaleiros da Mota & Cia, este lote de 12 026 m2, foi deixado praticamente ao abandono, dando azo à instalação de numerosas habitações clandestinas, que só foram demolidas, junto à zona ocupada pelo Moderno, no decurso das obras da faculdade. Entretanto, logo no fim dos anos 30, o Colégio Moderno, que teve Mário Soares como gerente desde 1955 até 1994 - com uma ou outra interrupção - começou a expandir-se para os terrenos vizinhos. Neles criou uma zona de recreio, e, mais tarde, também uma construção precária, próximo daquela que é hoje a extrema da propriedade. Esta ocupação desenrolou-se sem incidentes, num quadro de total indefinição quanto ao futuro da área envolvente.

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Foto: Becastanheiradepera.blogs.sapo.pt
Só na década de 70 é que se registaram algumas fricções, conhecidas apenas da vizinhança, entre o colégio e um dos donos do lote confinante com o da Flora & Fauna.

Chegada a década de 80, já com a totalidade das quotas do colégio nas mãos de Mário Soares, da mulher e dos filhos João e Isabel Soares, e com as indefinições sobre o futuro da zona limítrofe praticamente ultrapassadas - no final dos anos 70 foi definitivamente posta de parte a hipótese de a urbanizar e de lá construir uma grande avenida -, a família Soares iniciou a construção de diversos edifícios nos terrenos que tinha ocupado.

O último destes imóveis, levantado em 1996 sem licença da Câmara de Lisboa, acabou por consolidar o alargamento da propriedade, funcionando, desde então, como linha divisória entre os terrenos ocupados pelo colégio e a parcela entretanto expropriada pela UL.Dois anos depois, em Abril de 1998, quando o Colégio Moderno chegou a acordo com a senhoria para comprar o prédio urbano que arrendara à Flora & Fauna em 1936, levantou-se-lhe, porém, um problema muito complicado.

A propriedade em questão, que desde 1965 pertencia exclusivamente a uma antiga sócia da Flora & Fauna, estava descrita na Conservatória do Registo Predial como tendo uma área muito inferior àquela que o colégio realmente ocupava e ocupa. Os 2980 metros quadrados que lá estavam registados, com apenas uma vivenda construída, correspondiam a pouco mais de metade do espaço quase integralmente coberto por numerosos edifícios feitos pelo colégio. Além disso, os dados constantes da matriz predial existente nas Finanças atribuiam ao prédio uma área ainda mais pequena: uma superfície total de 922 metros quadrados, com uma área coberta de 382 metros quadrados.

Para ultrapassar o problema e legalizar a ocupação dos terrenos vizinhos, não restavam muitas alternativas aos donos do colégio e à sua senhoria, Maria Helena Guizado Henriques. Ou adquiriam por usucapião a parcela ocupada - visto que a ocupavam pública e pacificamente, sem contestação, há várias décadas - ou pediam ao Registo Predial e às Finanças a rectificação da área do prédio. A primeira hipótese, para além de trabalhosa - já que exigia a celebração de uma escritura pública -, teria alguns riscos, nomeadamente porque o último "crescimento" da propriedade tinha ocorrido muito pouco tempo antes, aquando da construção do mais recente edifício do colégio.

Na vizinhança e entre os antigos trabalhadores do estaleiro da Mota & Companhia, aliás, muita gente sabia e comentava que essa construção fizera avançar o colégio para dentro dos terrenos da universidade. Restava então o procedimento da rectificação da área.

Para isso bastava fazer o pedido às Finanças e, com base nele e numa declaração dos proprietários confinantes, neste caso apenas a Universidade de Lisboa, requerer à conservatória a alteração do registo.Foi isso que aconteceu.

O reitor da universidade, Meira Soares, assinou uma declaração e uma planta a certificar que a propriedade da antiga Flora & Fauna coincidia com os terrenos ocupados pelo colégio. O requerimento foi entregue às Finanças em 9 de Abril de 1998 e o pedido de averbamento da nova área de 4859 m2 (mais 1879 m2) deu entrada na conservatória no mesmo dia.Este pedido de averbamento foi subscrito pela senhoria e contém, por baixo da sua assinatura, uma declaração do colégio arrendatário, assinada pela sua gerente, Isabel Soares, em que se afirma: "Concordamos com o teor de todas estas declarações complementares."

E com que é que o colégio concorda? Trata-se dos fundamentos do pedido de rectificação da área da propriedade, que são, no essencial, os seguintes: "O prédio mantém a mesma área desde a data do início do arrendamento [1936], estando essa área, presentemente e já desde os anos quarenta, completamente murada, tendo alguns dos muros pré-existentes sido substituídos pelas paredes de algumas construções que o compõem".

No parágrafo seguinte explica-se que, pretendendo a proprietária vender o prédio ao colégio, "procedeu-se às medições correctas do mesmo e verificou-se que a sua área total é de 4859,44 m2 e não de 2980 m2, compondo-se o prédio de 430 m2 de área coberta, correspondente a um edifício com rés-do-chão, primeiro andar e sótão e 4429,44 m2 de área descoberta".Finalmente, diz a declaração que, "atendendo a todos os factos invocados e por ter havido erro de medição anterior, que se reporta a 1934, solicita que se proceda à rectificação pedida".

Sucede que, conforme é sabido por todos os que conheciam o terreno, a última construção erguida no local ultrapassou largamente a delimitação anteriormente assegurada pelo edifício que substituíu e que constituía a extrema superior da área ocupada. E ainda que a alegada composição actual da propriedade, com um único edifício de 430 m2 de área coberta, é uma ficção face ao emaranhado de construções que lá se encontra. O fundamental, porém, prende-se com a alegação de que houve "um erro de medição" quando a propriedade foi registada em em 1934. O PÚBLICO está em condições de afirmar que, de facto, não houve erro algum na medição original.

A propriedade arrendada em 1936, correspondente à descrição predial nº 18 156 da freguesia do Campo Grande, teve sempre, desde que foi desanexada da Quinta do Cônsul da Holanda, um total de 2980 m2. E os 1879 m2 restantes provêm da apropriação de terrenos pertencentes à parcela contígua.Para o provar basta ver a escritura de compra e venda lavrada em 21 de Março de 1934 no cartório do notário Maia Mendes, por intermédio da qual a sociedade Flora & Fauna adquiriu o prédio que dois anos depois arrendou ao Colégio Moderno.

Lá se escreve que o prédio tem a área total de 2980 m2 e que, "para evitar dúvidas", os vendedores e os proprietários da parte rústica da quinta de onde ele foi desanexado "acordaram com a compradora em que fique fazendo parte da presente escritura uma planta de todo o antigo prédio, na qual se acha destacado a cor de rosa o prédio urbano que pela presente escritura se vende (...) planta essa que, assinada por todos os signatários da presente escritura, fica na verdade arquivada como parte dela, para os efeitos legais".

Observando a planta em questão, arquivada no notário, lá se vê, a cor de rosa, o prédio vendido, com a inscrição "Área 2980 m2", e com uma delimitação na parte superior, por referência à moradia ainda hoje existente, que corresponde a pouco mais de metade do perímetro que a senhoria e o colégio declararam ser aquele que o prédio mantém desde 1934.Apesar desta planta, que seria certamente desconhecida na conservatória, a "rectificação" foi imediatamente averbada à descrição predial, em Abril de 1998, e o registo oficial do prédio nº 18.156 passou a indicar 4859, 44 m2.

O requerimento apresentado às Finanças, que esteve na origem da alteração, esse é que ainda está no monte dos "pendentes", sem que os serviços do 8º Bairro Fiscal tenham sequer iniciado a sua análise.

Assim legalizada a ocupação dos terrenos vizinhos, a escritura de compra e venda foi efectuada, logo no mês seguinte, no conhecido escritório dos advogados Jardim, Sampaio, Caldas & Associados, ficando a família Soares na posse da "nova" propriedade de 4859 m2 pelo preço de 80 mil contos. Se tivesse optado por negociar com a Universidade os 1879 m2 que não pertenciam à parcela original da Flora & Fauna, só esse pedaço de terra ter-lhe-ia custado, pelo menos - ao preço pelo qual a reitoria pagou, por decisão judicial, o lote expropriado em 1988 -, um total de 82.300 contos.

Fonte: Público

terça-feira, setembro 20, 2016

Como não sai Passos Coelho, saio eu do PSD


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Tomei a decisão de me filiar no Partido Social Democrata no dia 11 de Outubro de 1991. Ao longo de 15 anos desempenhei funções partidárias ao nível concelhio, distrital e nacional na JSD e no PSD, tendo sido mesmo eleito, em 2002, Militante Honorário em Congresso Nacional da JSD.
Em 2006 tomei a decisão pessoal de deixar a vida partidária activa regressando à condição de militante de base. Mas tudo somado não esqueço que são 25 anos de militância no PSD.
Tenho um profundo orgulho em ser social-democrata. Uma social-democracia que teve a sua génese em Eduard Bernstein, Willy Brandt e Anthony Giddens e seguidores como Helmut Schmidt,  Olof Palme e Francisco Sá Carneiro.

O PPD/PSD foi durante muitos anos um partido do centro que defendia o estado social assente em três pilares basilares, a saúde, a educação e a segurança social. E que estes pilares deveriam ser assegurados pelo Estado.
Esta é a social-democracia em que acredito, que defendo e continuarei a defender para o meu País.
Nos últimos anos lamentavelmente o PPD / PSD afastou-se destes princípios ideológicos que estiveram na génese da fundação do Partido.
Ao longo do consulado de Passos Coelho assistimos a uma deriva neo-liberal. Passamos a assistir à defesa de um regime assistencialista em que o Estado apenas pagaria aos “ coitadinhos dos pobrezinhos“. Esta é para mim uma visão inaceitável e redutora do papel doEstado.
Entendo que o papel do Estado está muito longe de se resumir apenas a responsabilizar-se por aqueles que não conseguem ter acesso aos serviços essenciais condizentes com uma vida humana condigna.
No último programa eleitoral foi manifesta a opção do PSD pela liberdade de escolha do contribuinte, sendo que desta forma o Estado apareceria, em muitas situações, apenas como regulador e fiscalizador.
Uma situação é o Estado poder ser libertado de determinadas funções que podem ser levadas a cabo perfeitamente pelo sector privado, porém, outra completamente diferente é o Estado deixar de garantir serviços com qualidade à generalidade dos portugueses.
A isto acresce que, em 2010 com ascensão de Pedro Passos Coelho à liderança do PSD, ascenderam também a lugares cimeiros do partido dirigentes políticos do tipo “ trepa-trepa “, em que o mérito foi medido em função do número de votos dos “ exércitos “ que comandavam e que valiam exclusivamente para a eleição do presidente do partido. A mediocridade passou a ser premiada. Quanto pior melhor que assim não incomodavam. E esta, paulatinamente, passou a ser regra.
As estruturas partidárias, ao nível local e distrital, passaram a servir apenas para preencher lugares na administração pública com salários chorudos. A actividade política da maioria destas estruturas passou ser praticamente inexistente, resumindo-se quase aos momentos eleitorais internos e externos.
O debate terminou. Passou-se a considerar anormal a existências de listas opositoras. O regime vigente passou a ser o de lista única. O pensamento passou a ser único. Os que pensam de forma diferente passaram a ser excluídos, silenciados e marginalizados. E até se passaram aprovar listas de deputados de “ braço no ar “ ao melhor estilo “ estalinista “como ainda acontece na Venezuela, em Cuba ou na Coreia do Norte.
Nos últimos anos apresentei diversas propostas para contrariar o rumo que o PSD estava a levar. Fechado em si próprio, afastado dos seus militantes, das pessoas e dos novos tempos. Defendi uma modernização do Partido, da sua organização, aberto à sociedade e a uma nova realidade política, social e tecnológica. Um partido mais transparente e mais abrangente.
Ao longo dos últimos meses fiquei com a sensação que o calendário para Passos Coelho parou no dia 4 de Outubro de 2015.
De primeiro-ministro passou a profeta da desgraça. No último ano o PSD entrou em “ estado de coma “, por isso, sempre que acorda está desfasado da actual realidade politica e social.
Eu que até, no passado, apoiei Pedro Passos Coelho é desiludido e com muita tristeza que vejo hoje o PSD, sem liderança, sem estratégia, sem rumo, sem propostas para o país, navegando à espera “ da desgraça alheia “ para que um dia o poder lhe caia novamente nas mãos.
Para este facto concorre também a falta de qualidade de vários dos actuais dirigentes do PSD. Ao que ainda acresce o facto que a moral, a ética e o carácter de alguns ser mesmo muitas vezes questionada publicamente.
Não consegui perceber como, poucos meses depois da saída do governo, Passos Coelho veio defender publicamente a ida de Maria Luis Albuquerque para a Arrow Global. Também não entendi quando veio fazer a defesa pública de Durão Barroso quando assumiu as funções de chairman do Goldman Sachs. Incompreensível foi também a posição do líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, quando, na semana passada, veio fazer a defesa de Durão Barroso contra a decisão de Jean Claude Juncker passar a tratar o ex-presidente da Comissão Europeia como um “ lobista “.
Estranho o PSD usar a mesma linguagem do Bloco de Esquerda para falar de Juncker. Com uma pequena grande diferença. Nos últimos dois anos, quando o BE zurzia no Presidente da Comissão Europeia, o PSD defendia-o. E foi também a manifesta falta de coerência, nos últimos tempos, que me foi afastando de Passos Coelho e do PSD.
Nos últimos anos bati-me, como é público, pela defesa da transparência, pela separação entre a política e os negócios e pela moralização da vida política e pública.
Mas parece-me definitivamente que para esta gente que dirige o PSD é tudo normal, misturar política com negócios e agora até com “ mexericos “ da vida íntima das pessoas.
Na passada sexta-feira foi anunciado que Pedro Passos Coelho iria apresentar o livro de José António Saraiva intitulado “ O LIVRO PROIBIDO: Eu e os políticos: o que não pude (ou não quis) escrever até hoje “. Confesso que não acreditei, mas entretanto confirmei infelizmente que era verdade.
Lamento profundamente que o ex-director do “ Expresso “ dedique o seu tempo a divulgar conversas privadas, servidas acompanhadas dos mais rasteiros mexericos, sobre o que de mais íntimo há na vida das pessoas, muitas que não conheço, mas amigo de algumas.
Independentemente de tudo isto não se fazer ao pior dos inimigos, o que me choca mais são as revelações íntimas que José António Saraiva faz, com um nítido à vontade, relativamente a pessoas que infelizmente já não estão entre nós. Apesar de deplorável e nojento entendo que isto fica com o senhor arquitecto. Porém, outra coisa bem diferente é ver Pedro Passos Coelho, o Presidente do PSD, o meu Partido há mais de 25 anos, “ patrocinar “ esta pouca vergonha.
Há algum tempo que ponderava desfiliar-me do PSD porque há muito que não me revejo em muitas das práticas de alguns dos seus mais destacados dirigentes, na sua forma de fazer política, mas sobretudo, nos últimos tempos, da negação do ideário social-democrata que esteve na génese do PPD/PSD.
Confesso que foi este fim de semana, após ter visto a confirmação pela voz do próprio Passos Coelho que iria alimentar este “ circo “ da politica portuguesa “ patrocinando “ com a sua apresentação, talvez o mais abjecto dos livros da história da democracia portuguesa, a gota de água que me levou a tomar a decisão de pedir, hoje, a minha desfiliação do PSD.
Não foi uma decisão fácil, mas há momentos em que temos que ser claros e dizer não. Há limites para tudo. Uma coisa é a luta política, por vezes dura, a defesa de pontos de vista muitas vezes antagónicos de forma convicta, o estar sujeito quotidianamente ao escrutínio público, outra coisa é “ abençoar “ a devassa da vida privada e íntima das pessoas.
EU DIGO NÃO HOJE, AMANHÃ E SEMPRE ao facto de o líder do meu Partido “ patrocinar “ a devassa da vida íntima das pessoas, com a agravante ainda de uns já terem falecido, outros serem companheiros de partido e outros adversários políticos. Este é um livro que viola claramente a privacidade das pessoas citadas. É completamente inadmissível que o Presidente do PSD e ex-Primeiro-Ministro de Portugal faça a apresentação deste inqualificável livro que ultrapassa todos os limites da razoabilidade. Há princípios e valores com os quais sou intransigente. E o direito à privacidade é algo de inabalável enquanto valor de uma sociedade moderna.
Para mim não existe alternativa. Como não sai Passos Coelho do Partido, saio eu do PSD.
Não sei se é um até sempre, mas é com toda a certeza um adeus enquanto Passos Coelho presidir aos destinos do Partido Social Democrata.
Eu continuarei social-democrata, como sempre, agora como independente, a defender o superior interesse da minha terra e do meu país, continuando a lutar pela separação entre a política e os negócios e pela moralização da vida política e pública.

segunda-feira, setembro 19, 2016

Há muitas histórias assim...



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Cara Mariana, no seguimento à sua brilhante frase “Temos de perder a vergonha e ir buscar dinheiro a quem está a acumular dinheiro”, permita-me a minha revolta nestas palavras que lhe dirijo: Esta sou eu com 16 anos no meu 1º trabalho, nas férias do Liceu (não, não é photoshop nem posei para a fotografia, estava mesmo a trabalhar!). Ganhei o meu 1º salário, 30 contos, como operadora de empilhador numa bloqueira. Aos 17, já carregava camiões, com chuva e pó nas ventas ao volante de 1 máquina de maior porte. Com 6h de trabalho intenso, onde por vezes era preciso montar paletes (de blocos de cimento), seguia pra escola. Aos 18 já era independente e pagava as minhas contas. Ingressei no ensino superior. Dava aulas durante o dia todo e seguia para o Porto, estudar à noite. Formei-me a pagar meus próprios estudos como trabalhador estudante. Comprei aos 23 anos meu 1º carro sozinha (1 super cinco em 2ª mão). Aos 28 anos construí 1 casa com empréstimo bancário que paguei durante 15 anos. Aos 35, tinha já 1 poupança de alguns milhares. Ao longo dos meus 50 anos, já fiquei sem emprego mas nunca sem trabalho. Só estive 4 meses no fundo de desemprego, para logo de seguida empreender. Quando estive grávida deixei perplexa a funcionária da segurança social perante minha ignorância e não ter, por isso, requerido subsídio. É que meus pais ensinaram-me a trabalhar, não a viver à custa do Estado. Não desenvolvi essa habilidade. Porque apesar de não ter dividido como o meu pai, 1 sardinha por três, cresci sem saber o que era abundância. A dar valor a tudo o que se tinha. A lutar. A fazer reservas para o futuro. Emigrados no Canadá, e porque era preciso “acumular dinheiro”, não tenho 1 lembrança, em criança, de 1 passeio com meus pais, de 1 almoço fora, de 1 férias… Os brinquedos, ainda hoje consigo lembrá-los todos. As roupas e calçado, só quando eram mesmo precisos. Vivi em casas modestas dormindo na sala. Porque era preciso “acumular dinheiro”, aos 5 anos tive de aprender a tomar conta de mim sozinha (ter babysitter é prós fracos). Porque meu pai , acampado nos bosques onde cortava pinheiros, só vinha ao fim semana. Minha mãe, tinha 2 empregos (era contínua e fazia limpezas), só a via à hora de almoço porque saía às 5h e chegava sempre pelas 24h. Cresci sozinha porque era preciso trabalhar arduamente para “acumular dinheiro”. Porque o meu pai não assaltou bancos. O que tinha era mesmo dele. Saiu-lhe do corpo. Por isso, vocês é que deveriam ter VERGONHA. Porque é preciso ser-se muito NULO para não saber governar sem sacar a quem faz pela vida. Criar grupos de trabalho de como assaltar as poupanças e património, em vez de procurar estimular e incentivar a economia. Porque de facto, já não pagamos impostos suficientes. Saiba que os “acumuladores de dinheiro deste país, trabalharam arduamente para o ter. Sejam grandes ou pequenos acumuladores de dinheiro”, TODOS começaram de baixo (excluo aqui, como é óbvio, os criminosos assaltantes de bancos, de património, traficantes). E consoante as suas aspirações, uns apostaram mais alto, outros menos, mas todos contribuindo para o enriquecimento da Nação. E é graças a eles TODOS que a Mariana, sem mérito algum, pousa o seu rabito no Parlamento. Porque não fossem eles, não haveria salário para nenhum de vós, que a bem dizer, é um desperdício. O país não precisa de parasitas que estudam meios para conseguir roubar mais a quem os sustenta. Precisa sim de gente como nós, mais ou menos “abastados” que produz, que investe, que cria postos de trabalho. Por isso, cada vez que estiver nessas reuniões de “trabalho” sinta vergonha por mais 1 assalto à classe dos “abastados” (classe média) em vez de começar por tributar o património dos partidos políticos onde se inclui o vosso palacete ocupado à força depois da revolução; por ter chumbado o decreto sobre enriquecimento ilícito; por ter permitido as subvenções vitalícias; por fazer vista grossa à corrupção existente no sector financeiro e organismos públicos; por proteger a classe que nos rouba e empobrece: a vossa.

quarta-feira, setembro 14, 2016

Escrevia discursos para Durão Barroso mas tinha de passar os rascunhos por baixo da porta






Mundo





Rui Antunes

Jornalista


Ryan Heath
Ryan Heath
A experexperiência de Ryan Heath na equipa que escrevia os discursos de Durão Barroso na Comissão Europeia (CE) foi "um desastre absoluto", nas palavras do próprio. E acabou de forma insólita: por azar, numa passagem por Singapura em 2011, o ex-funcionário público britânico entupiu a banheira da suíte VIP do então presidente da CE. Foi a gota de água para uma relação que esteve sempre longe de ser a ideal para alguém que pretende transmitir mensagens e mal fala com o homem contratado para o ajudar nas palavras.
Num artigo publicado no jornal Politico, o correspondente na Europa Ryan Heath relata os dias de ostracismo que viveu ao lado de Durão Barroso, em 2011. "O que ele desejava – se é que o disse a alguém - nunca me foi comunicado", escreve o britânico, sustentando a sua ideia com alguns episódios rocambolescos. Como aquele na Austrália em que a caravana de veículos da Comissão Europeia se esqueceu dele, depois de um discurso de Durão Barroso num casino, e o obrigou a regressar sozinho ao hotel, "com os papéis descartados do discurso na mão".
Conta Ryan Heath que Durão dava pouca importância à preparação do que ia dizer e raramente trocava impressões com a equipa encarregada de o aconselhar na oratória. Para contrariar essa tendência, os conselheiros do líder da CE tinham sugerido que Heath o acompanhasse na viagem à Austrália e Nova Zelândia. Mas o diálogo nunca existiu. "Barroso tinha pouco tempo para mim. Ficou sozinho na cabina de primeira-classe, relegou-me para o último carro da comitiva e obrigou-me a pedir aos seguranças para passar os rascunhos dos discursos por baixo da porta no hotel." Uma grande dúvida assaltou o britânico após a visita à Oceânia: "Ou Durão Barroso ignorava-me intencionalmente ou não parecia saber o que eu estava ali a fazer."
Numa outra ocasião, no aeroporto de Singapura, o colaborador da CE encheu-se de coragem e tentou abordar diretamente o superior hierárquico para acertar detalhes de um discurso. "Mas ele não quis falar comigo", descreve Heath no seu artigo. "Em vez disso, pediu-me para pesquisar sobre ligações da família dele a uma região de vinhos na Austrália chamada Barossa Valley." Nada a declarar.
Já muito havia a dizer sobre o estado em que Durão Barroso encontrou a suíte VIP onde o instalaram, depois de uma reunião com o primeiro-ministro de Singapura noutro local do mesmo hotel. Ryan Heath foi deixado para trás, sozinho, e decidiu "tomar um banho depois de 12 horas de voo desde a Europa". Azar completo: a banheira entupiu e os funcionários do hotel não conseguiram resolver o problema antes de Durão Barroso regressar.
"Durante quatro meses, vi pessoas a entrar e sair do grupo que escrevia os discursos. Desta vez, foi a minha vez de ser desconvidado. Voltei para Bruxelas de mãos vazias e Barroso nunca mais me falou", conta o homem que diz ter-se sentido a "escrever para uma caixa negra" durante a sua experiência com o político português. Passou a estar confinado ao seu gabinete, a escrever tweets sobre os discursos, até abandonar funções.