quarta-feira, novembro 05, 2008

ADD 10 Razões para dizer NÃO

Porque é que os professores contestam este modelo de Avaliação do Desempenho Docente?

AS 10 PRINCIPAIS RAZÕES

O Professores têm a responsabilidade de fazer com que a escola eduque e ensine e os alunos aprendam, tornando-se cidadãos capazes de contribuir para um futuro melhor, pessoal e socialmente falando. Assim, não se questiona que haja um sistema de avaliação dos professores.

Mas o sistema de avaliação do desempenho docente consignado no Decreto Regulamentar n.º 2/2008 de 10 de Janeiro e nos diplomas que têm sido emanados do Ministério da Educação contém vários aspectos negativos que põem em causa a qualidade e a justiça da avaliação do desempenho docente e, pior ainda, comprometem a existência de uma escola pública de qualidade.

Seguem, em suma, as 10 principais razões que levam os professores a contestar este modelo de avaliação:

1.ª O facto de os professores serem avaliados tendo em conta «a melhoria dos resultados escolares dos alunos» (ponto 2, alínea a), do artigo 9.º do referido DR n.º 2/2008), nomeadamente (Despacho n.º 16872/2008, de 23 de Junho, anexo IV, parâmetro 7),

a) o progresso dos resultados escolares dos seus alunos no ano /disciplina, relativamente aos resultados atingidos no ano lectivo anterior;

b) a evolução dos resultados escolares dos seus alunos relativamente à evolução média

- dos resultados dos alunos daquele ano de escolaridade ou daquela disciplina naquele agrupamento de escolas ou escola não agrupada;

- dos mesmos alunos no conjunto das outras disciplinas da turma no caso de alunos do 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e do ensino secundário;

c) as classificações nas provas de avaliação externa e respectiva diferença relativamente às classificações internas.

2.ª O facto de os professores serem avaliados tendo por referência «a redução do abandono escolar» (ponto 2, alínea b), do artigo 9.º do DR n.º 2/2008).

3.ª A avaliação dos professores titulares ser feita pelos seus pares (artigo 12.º do DR n.º 2/2008).

4.ª A avaliação dos professores titulares poder ser feita por professores de escalão inferior ao seu.

5.ª A avaliação dos professores poder ser feita por professores com habilitação académica inferior à do avaliado ou com habilitação científica diferente da do avaliado (pontos 2 a 5 do artigo 12.º do DR n.º 2/2008).

6.ª A existência de quotas («percentagens máximas» de atribuição de Excelentes e de Muito Bons) diferentes de escola para escola (artigo 46.º, ponto 3, do Decreto-Lei n.º 15/2007, de 19/1 (Estatuto da Carreira Docente); artigo 21.º, ponto 4, do DR n.º 2/2008 e Despacho n.º 20131/2008, de 30/7).

7.ª A distribuição de quotas por «universos de docentes» (ponto 6 do Despacho n.º 20131/2008, de 30 de Julho).

8.ª Serem avaliados professores que estão no topo da carreira, muitos deles a menos de quatro anos do limite para atingir normalmente a idade da aposentação.

9.ª A complexidade e burocratização do processo, com reflexos negativos para a vida nas escolas, para os professores e, naturalmente, para o ensino.

10.ª A heterogeneidade de procedimentos na avaliação de escola para escola (artigo 6.º, pontos 1 e 2 do DR n.º 2/2008).


(...)

Recebida por e-mail de M. Paulo

terça-feira, novembro 04, 2008

ADD que acontece se recusar?

Quem pode recusar o processo de avaliação de desempenho? O avaliado, com certeza. O avaliador não pode recusar, mas tem margem para adiar se pedir esclarecimentos

O coordenador/avaliador não se pode recusar a avaliar, faz parte do conteúdo funcional da "categoria" de prof titular.

Pode pedir demissão da função ao CE, mas muito provavelmente não é aceite a não ser em situações extremamente relevantes desde que haja mais titulares.
Aos avaliados é que nada acontece salvo a não progressão.
Convém referir que a recusa em ser avaliado só se faz não entregando o documento de auto-avaliação, que desencadeia o processo.
Infelizmente se o avaliado não definir objectivos o CE é obrigado a fixá-los já que na lei é referido que prevalece a posição do avaliador.
Não era essa a interpretação que estaria no espírito da lei; mas é essa a interpretação da tutela, neste momento.
Não pode o avaliado recusar ou impedir a entrada do avaliador na sua sala porque aí prende-se com uma determinação do CE e o não cumprimento de determinações dos CE...
Pelo que, aparentemente, salvo melhor opinião,só no momento da entrega do documento de auto-avaliação é que se formaliza a recusa do docente em ser avaliado.E aí o processo bloqueia.
Mas até lá...
http://www.profblog.org/

Benilde

Profs Ojectivos Individuais não entregar.

Se os professores se recusarem a entregar os objectivos individuais, o processo pára.

Há escolas onde os professores estão a recusar a entrega dos objectivos individuais. Na Camilo Castelo Branco de Vila Real, 90% dos colegas não vão entregar os Objectivos Individuais. Se todos os colegas enveredarem pela não entrega dos O.I. inviabilizarão o processo, dado que não é possível discutir entre avaliador e avaliado aquilo que não existe.
Há centenas de escolas com o processo parado. Em algumas, a iniciativa de parar o processo partiu do Conselho Executivo e do Conselho Pedagógico; noutras, partiu dos avaliadores. À medida que mais avaliadores tomam consciência da loucura burocrática em que os atolaram, cresce a resistência expressa em tomadas de decisão conducentes à paralisação do processo. É preciso afirmar bem alto: os professores não receiam as ameaças da ministra. Não têm medo de ser impedidos de progredirem na carreira. Se o preço a pagar pela revogação do decreto regulamentar 2/2008 e respectivo modelo de avaliação burocrático, for a não progressão, que venha a não progressão. Os professores não vendem a escola pública por mais 100 euros mensais. Os professores não querem progredir na carreira a todo o custo. O que os professores querem é que os deixem ensinar.

Parecer jurídico sobre consequências da não entrega dos objectivos individuais

O texto que publico (ver: www.profblog.org/) foi-me enviado por um colega que pediu um parecer jurídico a um jurista especialista em direito administrativo. Tem o valor que tem. Convinha que os serviços jurídicos dos sindicatos se pronunciassem sobre esta questão, emitindo pareceres jurídicos que sossegassem os professores. Tudo parece indicar que a única sanção para quem não quiser entregar os objectivos individuais é a não progressão na carreira. Salvo melhor opinião, é essa a única consequência a tirar da legislação.



Recebida por e-mail de Célia C.

segunda-feira, novembro 03, 2008

PROFS Mnif dia 8-11-2008

Dia 8/11, a concentração é na Alameda da Cidade Universitária. A manif vai descer até aos Restauradores


A crescente onda de apoio à jornada de 8 de Novembro obrigou a uma mudança nos seus locais de concentração e destino. Assim, os educadores e professores de todo o País vão juntar-se na Alameda da Cidade Universitária, às 15h00, seguindo depois em manifestação até aos Restauradores, no coração da baixa lisboeta.

Depoimento de José Matias Alves, ex- membro do Conselho Científico para a Avaliação Dia 8/11, a concentração é na Alameda da Cidade Universitária. A manif vai descer até aos Restauradores

8 de Novembro: concentração na Alameda da Cidade Universitária, com manifestação até aos Restauradores




A crescente onda de apoio à jornada de 8 de Novembro obrigou a uma mudança nos seus locais de concentração e destino. Assim, os educadores e professores de todo o País vão juntar-se na Alameda da Cidade Universitária, às 15h00, seguindo depois em manifestação até aos Restauradores, no coração da baixa lisboeta.

Depoimento de José Matias Alves, ex- membro do Conselho Científico para a Avaliação de Professores:
"Como professor que procura ler e compreender o que (não) se passa, não posso deixar de compreender as razões e os sentimentos que vão levar os professores e educadores a Lisboa no dia 8 de Novembro (no que à avaliação de desempenho diz respeito)"
Fonte: Página Web da FENPROF

Comentário
Sempre achei estranho o primeiro local de concentração: Topo do Parque Eduardo VII. Era um local escondido, como se a concentração se realizasse um pouco a medo. A enorme adesão dos professores, verificada após o acordo estabelecido entre a FENPROF e a APEDE, PROmova e MUP, obrigou os organizadores a mudarem o local de concentração. A Alameda da Cidade Universitária é o local apropriado para os professores. Para mim, será o regresso à minha alma mater, a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde estudei durante 5 anos.
Dia 15/11, haverá nova manif, desta vez convocada por algumas associações independentes de professores.
Recebida por e-mail de Vítor M.

ADD quem é penalizado?



Explicada a aposentação da Presidente da CCAP !!



O Conselho Científico para a Avaliação do Desempenho dos Professores, terá concluído, de acordo com o SPGL:
(i) Que os avaliadores não possuem formação para avaliar os seus pares (!). Importa agora saber porque mentiram à sociedade portuguesa os responsáveis políticos ao investi-los, perante a opinião pública, de uma titularidade de competências funcionais que afinal não detinham, não detêm e que os próprios, em grande número, parecem abominar quem as detém (?);
(ii) Que este sistema de avaliação do desempenho não tem repercussão positiva na prática pedagógica dos docentes e no sucesso efectivo dos alunos. O inverso apenas poderia ser verdade se a miopia de quem nas escolas trabalha todos os dias fosse similar à dos governantes da 5 de Outubro;
(iii) Que o modelo de avaliação em causa é, em si mesmo, promotor de conflitos pessoais e profissionais e gerador de um indesejável clima de instabilidade nas escolas. Quem foram os estrategas de guerra que planearam até quase ao pormenor a guerrilha entre docentes? Quem são os autistas que não perceberam (não percebem?) que o conflito tribal numa escola tem por principais vítimas não os docentes mas, sobretudo, os alunos e as suas famílias?

Recebido por e-mail de Célia C.

sábado, novembro 01, 2008

ADD - ESAM Viseu pediso de suspensão

Ex.mo Senhor

Presidente do Conselho Pedagógico

da

Escola Secundária Alves Martins -Viseu

Os professores da Escola Secundária Alves Martins abaixo assinados, declaram o seu mais veemente protesto e desacordo perante o novo Modelo de Avaliação de Desempenho introduzido pelo Decreto Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro.

Os professores da ESAM signatários deste documento não questionam a avaliação de desempenho como instrumento conducente à valorização das suas práticas docentes, desde que traduzida em resultados positivos nas aprendizagens dos alunos e promotora do desenvolvimento profissional.

Os professores da ESAM signatários deste documento questionam e denunciam um conjunto de arbitrariedades e incongruências do modelo ADPD que, no seu conjunto, consideram ser lesivo da qualidade da escola e atentatórias da nossa dignidade enquanto cidadãos e educadores.

1-Os critérios que nortearam o primeiro Concurso de Acesso a Professor Titular geraram uma divisão artificial e gratuita entre “professores titulares” e “professores”, valorizando apenas a ocupação de cargos nos últimos sete anos, independentemente de qualquer avaliação da sua competência pedagógica, científica ou técnica e certificação da mesma.

2-É hoje evidente a forma não negociada e a incoerência técnica do modelo, afogando as instituições em actividades e rotinas burocráticas que, não só não são pertinentes, como prejudicam o trabalho com os alunos e são responsáveis pela desestabilização generalizada das escolas portuguesas

3-Este modelo de avaliação configura uma lógica burocrática, desviando-nos dos reais objectivos que devem nortear o processo de ensino-aprendizagem. Cria situações paradoxais como a existência de avaliadores oriundos de grupos disciplinares muito díspares daqueles a que pertencem os avaliados.

Um relatório do Conselho Científico para a Avaliação dos Professores (CCAP) alerta expressamente o Ministério da Educação quanto ao "risco de a avaliação se constituir num acto irrelevante para o desenvolvimento profissional dos docentes, sem impacto na melhoria das aprendizagens dos alunos, que conviria evitar desde o início", advertindo acrescidamente para o que – neste início de ano lectivo – retrata fielmente a realidade quotidiana das nossas escolas, traduzida no sufoco da "burocratização excessiva, [na] emergência ou reforço de conflitualidades desnecessárias e [no] desvio das finalidades formativas e reguladoras que um processo de avaliação do desempenho profissional deve conter".

4-O horário de trabalho dos professores imposto pelo Ministério da Educação é excessivamente tomado no cumprimento das inúmeras tarefas burocráticas, em detrimento de funções inerentes à arte e missão de ser professor.

5-Há irregularidades no modelo em vigor, o qual carece do devido cumprimento da legalidade em muitos dos mecanismos estabelecidos (sobretudo quanto ao cumprimento de normas elementares do Código de Procedimento Administrativo).

6- O modo de implementação do modelo enveredou por uma afronta desnecessária à dignidade dos professores que, inconformados, e apesar das penalizações elevadas, estão a abandonar precocemente o ensino a um ritmo jamais visto. Este abandono maciço tem de merecer reflexão por parte da tutela que prefere enveredar pelo ingénuo “optimismo leibnitziano “ de que “vai tudo pelo melhor no melhor dos mundos possíveis”.

7-A filosofia do modelo ADPD é meramente economicista. De facto, o modelo de avaliação de desempenho docente não consegue mascarar as evidências: é um modelo barato e estrangulador da progressão; é mais um impedimento para além do congelamento das carreiras.

8- A avaliação entre pares introduz no meio escolar fracturas relacionais e potencia um clima adverso às boas práticas de partilha e inter-ajuda. Por outro lado, cria “competências artificiais” forjadas ad hoc que em nada credibilizam a acreditação dos avaliadores.

Esta lógica criou um sistema hierárquico artificial, através da distinção entre professores titulares e professores não titulares, dando lugar a situações inverosímeis que descredibilizam o próprio processo e lhe retiram qualquer legitimidade. A avaliação de pares, a existir, deverá ter um cunho meramente formativo.

9- Este modelo não salvaguarda a necessidade de estabelecer as adequadas condições de avaliação, quer para avaliadores quer para avaliados, incluindo o direito à formação gratuita e à redução parcial e ajustada do horário de trabalho.

10-Verifica-se uma total ausência de regulação do processo de avaliação por parte do Ministério da Educação. Este modelo de avaliação reveste-se de enorme complexidade, acabando por originar leituras tão difusas e tão díspares entre si que ferem o princípio da equidade e da universalidade das regras a que a avaliação dos docentes deve obedecer. Estes desvios de interpretação estão a causar modos de actuação desigual, já em termos de avaliação efectiva e, subsequentemente, no posicionamento viciado quando os avaliados forem opositores a concursos.

Em suma, este conjunto de incongruências e injustiças:

(1)- apouca e desvirtua um modelo de ADPD que deve ter elevação ética, ser pautado por critérios justos e dignificar o ensino aprendizagem;

(2)- apostou e persiste na afronta aos professores, retirando-lhes tempo, energia e motivação, em vez de procurar mobilizá-los para um projecto credível, para o qual sempre estiveram disponíveis;

(3)- a Senhora Ministra da Educação continua a “preferir” a opinião pública, em vez de trabalhar com os professores/educadores na prossecução da qualidade do ensino em Portugal;

(4)- a Senhora Ministra da Educação continua a insistir um discurso distante, com afirmações distorcidas e perversas, em cujas entre linhas pode ler-se um desprezo pela classe docente. Classe que, a seus olhos, terá caído em tão baixo índice ético-profissional e moral que, agora, só poderá ser salva do pântano através da acção regeneradora da Senhora Ministra.

A nós, professores da Escola Secundária Alves Martins –Viseu, não nos resta alternativa. Assim, face a tudo o que é supra referido:

(1)- expressamos o nosso profundo desapontamento e inconformismo com todo o processo conducente à implementação deste modelo ADPD;

(2)- declaramos o nosso profundo desacordo com este modelo de Avaliação de Desempenho do Pessoal Docente;

(3)- apoiamos determinadamente acções que lutem pela sua suspensão;

(4)- solicitamos ao Conselho Pedagógico da ESAM que tome posição clara quanto à natureza, ao modo de implementação e à exigência de suspensão deste modelo Avaliação de Desempenho do Pessoal Docente.

(5)- solicitamos que da tomada de posição seja dado conhecimento à tutela.

Escola Secundária Alves Martins – Viseu, 30 de Outubro de 2008

Os professores signatários,

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Recebida por e-mail de F. Lima

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ADD - É possível suspender!

A Sua Excelência A Ministra da Educação
Com conhecimento a:
- DREN;
- Conselho Científico de Avaliação de Desempenho do Pessoal Docente;
- Equipa de Apoio às Escolas de Barcelos, Esposende e Famalicão

O Conselho Executivo da Escola Secundária Alcaides de Faria vem, por este meio, solicitar a Sua Excelência que seja suspenso e revogado o actual modelo de Avaliação de Desempenho do Pessoal Docente, regulamentado pelo Decreto Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro, pelos motivos seguintes:

1. Para o Conselho Executivo, tal modelo torna-se inexequível na medida em que a nossa Escola tem cerca de 220 professores, que terá que avaliar, segundo critérios que não se podem considerar objectivos e observáveis. Esta tarefa é, para o Conselho Executivo, humanamente impossível de concretizar com o mínimo de rigor e seriedade, princípios que devem estar sempre presentes num processo tão delicado como é o da avaliação de professores.

2. Este modelo, muito burocrático e pouco realista, está a promover a degradação do relacionamento interpessoal entre a classe docente, perturbando seriamente o clima escolar, com reflexos negativos (directos e indirectos) no processo de ensino e aprendizagem. A este facto, acresce o descontentamento que impera entre os docentes, que se vêem com uma sobrecarga de tarefas que o actual modelo de avaliação exige, pondo em causa o desenvolvimento normal da sua actividade enquanto professores.

3. O Conselho Executivo teme, seriamente, que seja colocada em causa a essência da actividade da Escola, que se centra essencialmente nas aprendizagens dos alunos, desvirtuando, assim, a razão da nossa existência. Estamos plenamente convencidos que a aplicação do actual modelo de avaliação dos professores irá prejudicar seriamente os alunos e o normal desenvolvimento do ano lectivo, como, aliás, já está a acontecer. Não se pode pedir à Escola o que é, de todo, impraticável.

4. A ser levado até ao fim o actual modelo de avaliação, não pode, este Conselho Executivo, e cremos que nenhum, garantir uma avaliação justa e justificável dos professores. Não é uma avaliação justa, imparcial e verdadeira que se pretende? Acreditamos, sinceramente, que não o conseguiremos com o actual modelo. Não queremos, e daí a nossa posição, entrar por um processo em que a avaliação é feita, a qualquer custo, mas sem o rigor, a moralidade e a seriedade que devem ser os pilares de qualquer processo de avaliação de pessoas, com sentido de responsabilidade e ética.

5. A ser levado até ao fim este modelo de avaliação, o que será da Escola no final do ano? Como estarão as relações entre os professores, uns avaliadores e outros avaliados, num processo em que, em geral, ninguém acredita, de verdade? Este Conselho Executivo não quer imaginar-se a gerir uma Escola em que a conflitualidade se instale irremediavelmente.

6. O Conselho Executivo considera a avaliação dos professores uma exigência, nem está contra ela, bem pelo contrário. Quer é poder avaliar com rigor, com isenção e com competência, o que, no nosso entendimento, só poderá ser feito através de um modelo objectivo, menos complexo e, acima de tudo, que seja exequível. Deve-se, pois, na nossa opinião, construir um novo, urgentemente.

Barcelos, 28 de Outubro de 2008
Recebida por e-mail de F. Lima

A culpa é da Ministra!!!

"AS ESCOLAS PORTUGUESAS ESTÃO UM VERDADEIRO CAOS!!!!

A CULPA É TODA SUA, SRª MINISTRA!

Depois de ouvir hoje o que disse a Srª Ministra, depois de ler os desabafos de muitos colegas nossos, na minha Escola, na blogosfera, invadiu-me uma raiva que não consigo mais conter e gostaria de a gritar ao Mundo.

Dizia a Srª Ministra, com o seu ar sereno, que "o processo de avaliação de desempenho dos professores está a avançar de "forma normal e com grande sentido de responsabilidade" na maioria das escolas." e eu pergunto Srª Ministra:

- Quem tenta enganar? Os Professores? Os Pais dos alunos? A opinião pública? A Comunicação social? Quem? A si própria? O seu governo?

Na maioria das Escolas, Srª Ministra, a situação é esta:

- Os Professores estão cansados, desmotivados, não aguentam tanto trabalho para nada. Reuniões, grelhas, objectivos, mais reuniões, relatório, mais reuniões... e continua assim, semana atrás de semana. Resultado:

Os Professores não têm tempo para aquilo que gostam de fazer: ENSINAR!!!

A CULPA É TODA SUA, SRª MINISTRA!

Na maioria das escolas, muitos Professores que até agora eram empenhados na preparação das suas aulas, limitam-se a fazer o mais fácil, não têm tempo para pesquisa, para partilhar com os alunos. Os alunos não aprendem!

A CULPA É TODA SUA, SRª MINISTRA!

Na maioria das Escolas muitos Professores que tinham ainda TANTO para dar à Escola, eram o pilar da Escola, uma referência para os mais novos, estão a abandonar, vão para a APOSENTAÇÃO, mesmo com penalizações graves! É fácil perceber: por cada três que saem, entram apenas dois, com vencimentos muito mais baixos. O factor economicista sempre à frente!

Não lhe passa pela cabeça, Srª Ministra, o potencial humano que as Escolas estão a perder e os efeitos de tal fuga!

A CULPA É TODA SUA, SRª MINISTRA!

Na maioria das Escolas, há Professores de baixa médica, Professores esgotados que não aguentam mais esta loucura, que metem atestados e então vem outro professor substituir ou não vem… não faz mal! os alunos terão a farsa das aulas de substituição e, em vez de terem Português ou Matemática, têm aula com um Professor de Ed. Física ou Geografia… tanto faz, o que interessa é ter tudo ocupadinho, Professores e Alunos. Srª Ministra, são muitas aulas em que os alunos não têm aulas com o SEU professor, porque este está doente, em que a matéria não é leccionada.

A CULPA É TODA SUA, SRª MINISTRA!

Na maioria das Escolas, os Professores andam às voltas com o novo Estatuto do Aluno. A Srª Ministra mandou cá para fora um documento em que obriga os alunos que faltam a fazerem uma prova de recuperação mesmo que faltem porque não lhes apetece, um documento que não prevê distinção entre os alunos que faltam porque estão doentes e aqueles que ficaram a dormir até mais tarde. Os Professores têm que fazer a prova! Fazer a prova, prepará-la, corrigi-la, plano de recuperação…quantas horas implica tudo isto, Srª Ministra? Solução fácil! Esqueçamo-nos de marcar faltas! Se isto é para ser a brincar, nós fazemos-lhe a vontade.

A CULPA É TODA SUA, SRª MINISTRA!

Os Professores que até ao ano lectivo anterior eram uma classe que partilhava, onde não se sentia, regra geral, a competição, deixaram de confiar uns nos outros, vivem em função da avaliação de desempenho, num verdadeiro egoísmo. Desconfiam do colega que o vai avaliar, querem apanhar as quotas dos Excelentes ou Muito Bom. O mau estar nas Escolas é geral, um clima de desconfiança instalou-se!

A CULPA É TODA SUA, SRª MINISTRA!

E dirá a Srª Ministra: "Os Professores não querem ser avaliados". Engana-se Srª Ministra "Os Professores querem ser avaliados!!!! Sempre foram, tal como Vossa Excelência é e será avaliada (talvez não precise de tanta grelha, mas será!!). Os Professores fazem um trabalho público! São avaliados diariamente. QUEREM UMA AVALIAÇÃO SÉRIA e não um faz-de-conta.

Mas acha, Srª MINISTRA, que é avaliar seriamente um Professor, quando:


1 – Um colega (que pode ter menos habilitações e não é da área disciplinar) vai assistir a TRÊS aulas em 150 aulas que um Professor dá à turma? É tão fácil BRILHAR em três aulas, mesmo que nas outras 147 não se faça nada! Os Professores já tiveram aulas assistidas nos estágios…. Sabem fazê-lo. Não têm medo disso, Srª Ministra!!! Isto é avaliação séria, Srª Ministra?

2 – Um colega Coordenador de Departamento é de Francês/Inglês (excelente profissional na sua área, mas como viveu muitos anos em França, tem dificuldades na língua Portuguesa) vai avaliar um colega de Estudos Portugueses que, por não ter tido tantos cargos como o primeiro, não é TITULAR e por isso vai ser avaliado nas suas aulas de Português (com 30 anos de serviço) pelo primeiro. Isto é avaliação séria, Srª Ministra?

3 – Um colega de Educação Tecnológica, com uma licenciatura da Universidade Aberta obtida há alguns anos, vai avaliar colegas de MATEMÁTICA do seu Departamento (Ciências Exactas), alguns já com o Mestrado na área (Repito: os colegas são excelentes profissionais, mas não PODEM SER avaliadores de quem tem mais ou diferentes habilitações do que eles. Eles não têm culpa e muitos desejavam não representar tal papel). Isto é avaliação séria, Srª Ministra?

4 – Um dos elementos da avaliação dos alunos é a progressão dos resultados escolares dos seus alunos. Srª Ministra, é tão fácil falsear a progressão dos resultados escolares dos alunos…se NÃO formos sérios e quisermos contribuir apenas para o sucesso estatístico. Acha que os Professores, sabendo que estes dados contam para a sua avaliação, vão dar classificações baixas? Isto é avaliação séria, Srª Ministra?

5 – E o dito portefólio ou "dossier pedagógico" ser outro factor na avaliação?! É tão fácil, hoje em dia, enchê-lo com materiais LINDOS, pedagógicos….mesmo que os alunos nem os tenham visto, mesmo que estes materiais não sejam nossos. Isto é avaliação séria, Srª Ministra?


E finalmente, uma das aberrações do 2/2008

6 – O Presidente do Conselho Executivo, e simultaneamente Presidente do Conselho Pedagógico, não precisa ser TITULAR! Como explica isto Srª Ministra? A senhora Ministra criou esta distinção entre TITULARES e PROFESSOR! Então os Professores TITULARES não seriam aqueles que iriam desempenhar as funções de maior responsabilidade nas Escolas, um grupo altamente qualificado? Ou será que o Presidente do CE e do CP não é um cargo de responsabilidade? Como justifica que não seja necessário o título de TITULAR, se para outros cargos de menor importância, como Coordenador de Departamento ou de Directores de turma tal cargo é exigido? EXPLIQUE Srª Ministra! E quando este mesmo Presidente do Conselho Executivo tem apenas o equivalente ao antigo 7º ano (ou seja, é bacharel, depois de uma formação à distância de alguns meses)? Há TANTOS nas nossas escolas! Vai avaliar colegas com mestrados e licenciaturas? É ele que vai avaliar TODOS os colegas da Escola. Muitas vezes, para além de ter habilitação muito inferior aos avaliados, há anos que não lecciona! Isto é avaliação séria, Srª Ministra?

7 – Claro que há Professores, como há médicos, como há advogados, como há MINISTROS menos competentes. Mas acha que é assim que a situação vai melhorar? Quem não é tão bom profissional, vai continuar a não sê-lo e os bons agora também não têm tempo para o ser. Por que razão não se ajuda com avaliação formativa aqueles que têm mais dificuldades, sem o intuito de os penalizar? Acha que é justo um avaliador faltar às aulas das suas turmas (12avaliadosx3 aulas de 90mn= é só fazer as contas) para ir avaliar colegas? E os alunos ficam entregues a outros Professores que podem não ser seus? Então primeiro a avaliação dos Professores e depois a dos alunos?

Isto é avaliação séria, Srª Ministra?


Srª Ministra:

- Sou uma professora que, tal como milhares neste país (a senhora viu quantos no 8 de Março, mas fez que não viu!), dediquei toda a minha vida ao Ensino. Dei sempre o meu melhor, trabalhei com gosto para os meus alunos, férias, fins-de-semana, noites; gosto de ensinar mas sinto-me REVOLTADA por a srª Ministra nos ter tirado (ou querer tirar) esse grande prazer: ENSINAR!

- Sou uma Professora que, tal como milhares neste país, poderia ir agora para a reforma, mesmo com penalizações, mas VOU RESISTIR, não vou deixar que me obriguem a abandonar com mágoa, os meus alunos, a minha Escola!

- Sou uma Professora que confio no bom senso e tenho esperança que ainda vá a horas de não deixar a degradação atingir, ainda mais as nossas escolas.

- Srª Ministra oiça gente que sabe, (muita gente) dizer que é um crime o que se está a passar nas escolas portuguesas. Medina Carreira disse há poucos dias que se os pais tivessem a verdadeira percepção do que se está a passar na Escola em Portugal, viriam para a rua. Ele sabe do que fala.

- Srª Ministra OIÇA os Professores. Eles estão nas Escolas, no terreno. Mais do que ninguém, eles estão a dizer-lhe que assim NÃO teremos sucesso educativo. Assim, o sucesso será apenas ESTATÍSTICO e ECONÓMICO!


OS PROFESSORES (na sua maioria) SÃO SÉRIOS! QUEREM ENSINAR E QUEREM QUE OS SEUS ALUNOS APRENDAM! CONFIE NELES!OIÇA-NOS SRª MINISTRA!

E para terminar, um poema de Alberto Caeiro que encontrei hoje no blog Terrear e uma frase de JMA.

Des (aprender)


Procuro despir-me do que aprendi
Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram,
E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras,
Desembrulhar-me e ser eu...

Alberto Caeiro

"A grande e inadiável urgência de desaprender. De ver. Mesmo que isso nos custe. Porque a alternativa só pode ser a cegueira" JMA in blog Terrear

P.S. Peço desculpa a quem me ler, pela agressividade de algumas expressões, mas tenho de soltar este grito de REVOLTA! Aos puristas linguísticos, também, mas a intenção não foi fazer prosa. Imaginei a Srª Ministra à minha frente e pus no papel aquilo que gostaria de lhe dizer.

Peço desculpa também por não me identificar (por enquanto). Não o costumo fazer, mas as razões são óbvias!



UM ENORME BEM-HAJA A TODOS OS PROFESSORES!"
Recebida por e-mail de Fernado pereira

ADD proposta de suspensão ao CP e CE

Documento a subscrever pelos professores e educadores e a apresentar ao
Conselho Pedagógico e Conselho Executivo.
_________________________________________________

Proposta ao Conselho Pedagógico e ao Conselho Executivo


Os professores e educadores do Agrupamento de Escolas/Escola Secundária
de....................................., subscritores deste documento vêm
propor ao Conselho Pedagógico e ao Conselho Executivo a suspensão do
processo de avaliação do desempenho em curso nos termos e com os fundamentos
seguintes:

1. O modelo de avaliação do desempenho aprovado pelo Decreto-Regulamentar
2/2008 não está orientado para a qualificação do serviço docente, como um
dos caminhos a trilhar para a melhoria da qualidade da Educação, enquanto
serviço público;

2. O modelo de avaliação instituído pelo referido decreto-regulamentar
destina-se, sobretudo, a institucionalizar uma cadeia hierárquica dentro das
escolas e a dificultar ou, mesmo, impedir a progressão dos professores na
sua carreira;

3. O estabelecimento de quotas na avaliação e a criação de duas
categorias que, só por si, determinam que mais de 2/3 dos docentes não
chegarão ao topo da carreira, completam a orientação exclusivamente
economicista em que se enquadra o actual estatuto de carreira docente que
inclui o modelo de avaliação decretado pelo ME;

4. Paradoxalmente, a aplicação do actual modelo de avaliação do
desempenho está a prejudicar o desempenho dos professores e educadores por
via da despropositada carga burocrática e das inúmeras reuniões que exige;

5. O modelo de avaliação reveste-se de enorme complexidade e é objecto de
leituras tão difusas quanto distantes entre si e que nem o próprio
Ministério da Educação consegue explicar devidamente;

6. A instalação do modelo revela-se morosa, muito divergente nos ritmos
que é possível encontrar e dificultada ainda pela falta de informação cabal
e inequívoca às perguntas que vão, naturalmente, aparecendo;

7. A maioria dos itens constantes das fichas não são passíveis de ser
universalizados. Alguns só se aplicam com um número reduzido de professores.
Outros, pelo seu grau de subjectividade, ressentem-se de um problema
estrutural - não existem quadros de referência em função dos quais seja
possível promover a objectividade da avaliação do desempenho;

8. O desenvolvimento do processo com vista à avaliação do desempenho não
respeita o que determinam os artigos 8º e 14º, do próprio Dec-Regulamentar
2/2000, uma vez que o Regulamento Interno, o Projecto Educativo e o Plano
Anual de Actividades não se encontram aprovados por forma a enquadrar os
seus princípios, objectivos, metodologias e prazos;

9. É evidente um clima de contestação e indignação dos professores e
educadores;

10. O próprio Conselho Científico da Avaliação dos Professores (estrutura
criada pelo ME) nas suas recomendações, critica aspectos centrais do modelo
de avaliação do desempenho como a utilização feita pelas escolas dos
instrumentos de registo, a utilização dos resultados dos alunos, o abandono
escolar ou a observação de aulas, como itens de avaliação;

11. O Ministério da Educação assumiu com os Sindicatos de Professores a
revisão, este ano lectivo, do modelo instituído pelo Dec-Regulamentar
2/2008;

12. Suspender o processo de avaliação permitirá: (i) recentrar a atenção
dos professores naquela que é a sua primeira e fundamental missão - ensinar;
(ii) que os professores se preocupem prioritariamente com quem devem - os
seus alunos; (iii) antecipar em alguns meses a negociação de um outro modelo
de avaliação do desempenho docente, quando já estão em circulação outras
propostas, radicalmente diferentes e surgidas do meio sindical.

Assim, o signatários, renovam a proposta de que o Conselho Pedagógico e o
Conselho Executivo do Agrupamento de Escolas/Escola Secundária de
........................... suspendam todas as iniciativas e actividades
relacionadas com o processo de avaliação em curso, certos que, desta forma,
contribuem para a melhoria do trabalho dos docentes, das aprendizagens dos
nossos alunos e da qualidade do serviço público de educação.

Os signatários
............................................................................
............................................................................
............................................................................
............................................................................
_________________________________________________

(acrescentar tantas linhas como as necessárias)


VAMOS TODOS EXIGIR A SUSPENSÃO DO MODELO DE AVALIAÇÂO DO DESEMPENHO
DECRETADO PELO GOVERNO.

VAMOS EXIGIR A NEGOCIAÇÃO DE OUTRO MODELO DE AVALIAÇÃO E A REVOGAÇÃO DO ESTATUTO DA CARREIRA DOCENTE.
Recebida por e-mail de Fernando Pereira.