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domingo, janeiro 21, 2018
segunda-feira, dezembro 11, 2017
Viseu, Altar com dois mil anos desvenda nome de Viseu...
Altar com dois mil anos
desvenda nome de Viseu
Dedicado aos
deuses, este altar com quase dois mil anos fala no povo “vissaieigenses”.
Descoberta em 2009, pedra regressa a casa depois de ter sido resgatada de
depósito. Vai estar em exposição no átrio da autarquia e integrar o acervo do
futuro museu da cidade.
11 de
Dezembro de 2017, 9:01
Foto
Monumento
foi encontrado em 2009 e agora resgatado de armazém
Um altar de
pedra com dois mil anos que revela a origem do nome da cidade de Viseu vai ser
exposto ao público, quase uma década depois de ter sido descoberto.
A ara, da
época romana, foi encontrada em 2009 durante umas escavações na zona histórica
e é considerado o achado arqueológico mais relevante na construção da história
da cidade. Guardada num caixote nos últimos anos, a pedra em granito fino foi
resgatada para ficar, para já, em exposição no átrio da Câmara Municipal ainda
durante o mês de Dezembro.
Datada da
segunda metade do século I d.C, o altar é um dos mais antigos monumentos
epigráficos de Viseu. A inscrição, em latim e totalmente perceptível, diz, na
sua tradução: “Às deusas e deuses vissaieigenses. Albino, filho de
Quéreas, cumpriu o voto de bom grado e merecidamente.”
Segundo os
historiadores e investigadores, com esta dedicatória, Albino, uma personalidade
da época, materializa o cumprimento do voto feito às divindades de lhes erguer
um altar. E ao dedicar a mensagem aos “deuses vissaieigenses”, percebe-se que a
palavra deriva de Vissaium, o nome da cidade naquela época.
A mais
antiga referência escrita do nome de Viseu remontava ao século VI, sob a forma
"Viseo".
“Não deve
haver outra peça tão importante sobre a história de Viseu como esta ara.
Através da inscrição consegue-se saber o nome dos habitantes que cá estavam
quando os romanos chegaram”, assinala o arqueólogo Pedro Sobral. O especialista
destaca ainda que o altar foi encontrado “num sítio muito perto onde estava o
templo do fórum da época romana, o centro religioso, político e
administrativo”, o que demonstra a importância desta urbe.
O arqueólogo
conta que até 2009 havia muitas teorias, “algumas delas disparatadas”, sobre a
origem do nome da cidade e “este altar desvenda esse mistério” ao mesmo tempo
que demonstra que Viseu poderá ter sido capital de um vasto território.
Através dos
estudos onomásticos, os historiadores e investigadores chegaram à conclusão de
que a cidade, antes dos romanos chegarem, chamava-se Vissaium que evoluiu para
Vis (s) eum (Era Romana), a seguir Viseo (Idade Média) e, finalmente, Viseu.
“O estudo
preliminar leva-nos também a sugerir que a ara materializa um voto às deusas e
deuses viseeicos, sendo o seu dedicante alguém abastado, a julgar pela
qualidade e imponência do monumento”, contam os historiadores para quem o altar
assume também especial importância para o conhecimento do panorama religioso da
região de Viseu.
“Mais uma
vez esta peça é única porque dá a conhecer uma entidade divina que acabou por
entrar para o panteão dos deuses romanos”, esclarece o arqueólogo.
Primeira
pedra do acervo do futuro museu da cidade
A ara foi
encontrada no âmbito de acompanhamento arqueológico da abertura de uma vala
para a instalação do funicular na Travessa da Misericórdia, bem perto da Sé de
Viseu. Na altura, o achado foi dado a conhecer e foi objecto de vários artigos
em revistas da especialidade e em congressos. Chegou também a iniciar uma
“digressão”, denominada “Rock Tour”, que começou na Fnac, onde o altar esteve
em exibição, e que pretendia percorrer outros espaços do concelho. Mas, o
monumento acabou fechado, dentro de um caixote num depósito nos arredores de
Viseu, num armazém que contém mais achados arqueológicos que estão guardados.
Depois da
exposição no átrio da câmara, é intenção da autarquia que este seja o primeiro
objecto do acervo do futuro museu da cidade.
“A ara é uma
primeira pedra, literalmente, na vontade de constituir um primeiro acervo para
o museu da cidade que é um objectivo que está inscrito no nosso programa”,
sublinha Jorge Sobrado, vereador da Cultura e Património.
Para o
autarca, “este regresso a casa do altar é um modo de valorização e promoção de
um grande ícone de Viseu, mas é também simbólico daquilo que é o nosso
objectivo de, dentro de um quadro de valorização do património, fazer um trabalho
ligado à investigação, à salvaguarda, à valorização e à divulgação”.
“Trata-se de
um documento e de um monumento únicos”, justifica. “Através deste documento,
conseguiu-se trazer luz ao mistério que sempre envolveu a origem do nome da
cidade de Viseu. O nome mais antigo, alguma vez descoberto, é Vissaium”,
sublinha.
O presidente
da autarquia “vissaieigense”, Almeida Henriques, considera que colocar em
exposição o altar milenar é “um belo presente de Natal para os viseenses e para
todos quantos gostam de património e história”. Acredita que este achado
arqueológico contribui, também, para a promoção do turismo em Viseu.
“Queremos
fazer um resgate do nosso património histórico e esta devolução à cidade tem um
grande significado”, afirma ainda. E conclui: “Não era compreensível que
esta peça, pelo seu singular valor simbólico, continuasse fechada num armazém”.
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